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| Escolhi esta foto, por representar sua simplicidade Foto: Arquivo da família (Facebook) 13/08/2016 – Faleceu o Sr. JORGE CAVLAKFaleceu na Santa Casa de Adamantina-SP o Sr. JORGE CAVLAK Aos 76 anos Nascimento – 30/01/1940 Falecimento – 13/08/2016 Velório – Velório Municipal de Lucélia– SP Sepultamento – 14/08/2016 as 16:00h O Sepultamento se dará no Cemitério Municipal de Lucélia – SP “O Fundo Viver Assistencial, se condoliza com os familiares e amigos.” |
Marcos Vazniac - "E entrou Jesus no templo
de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derrubou as
mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; E disse-lhes:
"Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes
convertido em covil de ladrões." Mateus 21:12-13
No início da década de 1960, o jovem luceliense Jorge Cavlak, foi solicitado a escrever um artigo no recém jornal da cidade, denominado O Divulgador. O polêmico articulista, com suas ideias marxistas , subversivas e revolucionárias, escreveu um artigo denominado "Deus Dólar".
No artigo, Jorge tece críticas ao sistema capitalista, onde o ser humano é mero número em uma mesa de um empresário. O homem vai aos templos rezar por um Deus, mas quando o homem capitalista entra em uma bolsa de valores, se ajoelha com se estivesse diante de algo sagrado.
Para o autor, crítico do sistema capitalista, o dinheiro ou seja, o Dólar americano era um Deus, muito maior e muito mais importante na vida dos brasileiros. O Deus Dólar tinha lugar primeiro, na vida profissional, sentimental das pessoas do mundo.
Como tal artigo foi escrito no auge da Guerra Fria, onde Estados Unidos e a União Soviética estavam em pé de guerra, e o perigo de uma Terceira Guerra Mundial, e a ameaça do apocalipse nuclear, era assunto de pauta de todos os jornais do mundo, tal fato virou polêmica na cidade.
Neste cenário de terror e medo, Jorge Cavlak, escreveu Deus Dólar, e pagou caro por isso. A primeira pressão veio da Igreja Católica local. O sacerdote salesiano Pe. Francisco Marh, austríaco e severo em suas homilias, o interpelou nas ruas da cidade, questionando-o sobre a real intenção de escrever um artigo onde, segundo a visão do articulista, o maior Deus do mundo, não era Javé, mas sim o Deus Dólar.
Não foi somente o “Padre Banco”, como era chamado o padre Francisco Marh que excomungou Jorge Cavlak. Parte da sociedade luceliense o chamou de subversivo e comunista e ele teve que pagar um preço caro por ser ousado naquela época. Alguns o interpelaram para que ele se mudasse para a Rússia, e até a radical TFP (Tradição Família-Propriedade), facção ultra-radical da Igreja Católica, que percorria as cidades do Brasil, criticando os comunistas, chegou em Lucélia, e com suas bandeiras e estandartes medievais fez discurso inflamado em frente ao portão de sua residência.
Bem, hoje os tempos mudaram. A Ditadura Militar acabou, e o país vive uma harmoniosa democracia. Estamos num país onde a liberdade de imprensa e os direitos civis são respeitados. O Muro de Berlim ruiu, e com ele o fim da utopia de uma sociedade igualitária no mundo. Che Guevara tombou nas selvas bolivianas, como o último herói do mundo. Hoje, o que vale é o mercado globalizado, onde as cifras são transferidas on-line de país para país, onde as bolsas de valores fazem pregões virtuais e bilhões de deuses dólares, são aplicados no mercado financeiro global.
As pessoas, como há 50 anos continuam indo às igrejas, rezam, mas não continuam tratando o Deus Dólar, ou Deus Euro, como o maior de todos. Hoje, como há 50 anos, o ser humano é julgado pelo seu CPF, pelas cifras de sua conta bancária e não pelo seu caráter. O que vale é o carro da moda, as roupas de grife, os BBBs da vida, o mundo do glamour e da riqueza.
Caro Jorge, nada mudou em 50 anos. O que mudou foi a política e a História. O ser humano continua como antes, sedento por riqueza, poder e dinheiro. No futuro nada vai mudar. Os sistemas que vieram para dar paz e tranquilidade ao mundo, foram os que mais mataram. Em nome de Deus, do Deus Dólar, do petróleo e da igualdade de classes, bilhões de seres humanos tombaram nos campos de batalha.
Em 2012, os profetas do apocalipse esperam o fim dos tempos. O tempo que vivemos é sem dúvidas um tempo de amarguras e insegurança. Uma crise financeira global ameaça a economia do mundo. No Oriente Médio, rumores de guerra em nome do petróleo e da democracia cristã. Enquanto o tempo das incertezas e amarguras não chega, o Deus Dólar continuará onipotente, triunfante, controla.
Há muita coisa para se falar sobre Jorge Cavlack. Muitos se lembra do Rurick som, salão de vidro da Praça do Fórum, da sua pequena Floresta no coração da cidade, seu equipamento de som que abrilhantou vários eventos, casamentos, batizados, bingos, aniversários.
Deixo aqui meus sentimentos de tristeza, para a Shirley, companheira de mais de 50 anos de casamento, ao Yure, ao Rurick, noras e netos.
Tenho certeza que cada luceliense ou amigo de Lucélia que conheceu Jorge Cavlack, tem acima de 15 anos, conhece uma história dita por este cidadão que ora nos deixa.
No início da década de 1960, o jovem luceliense Jorge Cavlak, foi solicitado a escrever um artigo no recém jornal da cidade, denominado O Divulgador. O polêmico articulista, com suas ideias marxistas , subversivas e revolucionárias, escreveu um artigo denominado "Deus Dólar".
No artigo, Jorge tece críticas ao sistema capitalista, onde o ser humano é mero número em uma mesa de um empresário. O homem vai aos templos rezar por um Deus, mas quando o homem capitalista entra em uma bolsa de valores, se ajoelha com se estivesse diante de algo sagrado.
Para o autor, crítico do sistema capitalista, o dinheiro ou seja, o Dólar americano era um Deus, muito maior e muito mais importante na vida dos brasileiros. O Deus Dólar tinha lugar primeiro, na vida profissional, sentimental das pessoas do mundo.
Como tal artigo foi escrito no auge da Guerra Fria, onde Estados Unidos e a União Soviética estavam em pé de guerra, e o perigo de uma Terceira Guerra Mundial, e a ameaça do apocalipse nuclear, era assunto de pauta de todos os jornais do mundo, tal fato virou polêmica na cidade.
Neste cenário de terror e medo, Jorge Cavlak, escreveu Deus Dólar, e pagou caro por isso. A primeira pressão veio da Igreja Católica local. O sacerdote salesiano Pe. Francisco Marh, austríaco e severo em suas homilias, o interpelou nas ruas da cidade, questionando-o sobre a real intenção de escrever um artigo onde, segundo a visão do articulista, o maior Deus do mundo, não era Javé, mas sim o Deus Dólar.
Não foi somente o “Padre Banco”, como era chamado o padre Francisco Marh que excomungou Jorge Cavlak. Parte da sociedade luceliense o chamou de subversivo e comunista e ele teve que pagar um preço caro por ser ousado naquela época. Alguns o interpelaram para que ele se mudasse para a Rússia, e até a radical TFP (Tradição Família-Propriedade), facção ultra-radical da Igreja Católica, que percorria as cidades do Brasil, criticando os comunistas, chegou em Lucélia, e com suas bandeiras e estandartes medievais fez discurso inflamado em frente ao portão de sua residência.
Bem, hoje os tempos mudaram. A Ditadura Militar acabou, e o país vive uma harmoniosa democracia. Estamos num país onde a liberdade de imprensa e os direitos civis são respeitados. O Muro de Berlim ruiu, e com ele o fim da utopia de uma sociedade igualitária no mundo. Che Guevara tombou nas selvas bolivianas, como o último herói do mundo. Hoje, o que vale é o mercado globalizado, onde as cifras são transferidas on-line de país para país, onde as bolsas de valores fazem pregões virtuais e bilhões de deuses dólares, são aplicados no mercado financeiro global.
As pessoas, como há 50 anos continuam indo às igrejas, rezam, mas não continuam tratando o Deus Dólar, ou Deus Euro, como o maior de todos. Hoje, como há 50 anos, o ser humano é julgado pelo seu CPF, pelas cifras de sua conta bancária e não pelo seu caráter. O que vale é o carro da moda, as roupas de grife, os BBBs da vida, o mundo do glamour e da riqueza.
Caro Jorge, nada mudou em 50 anos. O que mudou foi a política e a História. O ser humano continua como antes, sedento por riqueza, poder e dinheiro. No futuro nada vai mudar. Os sistemas que vieram para dar paz e tranquilidade ao mundo, foram os que mais mataram. Em nome de Deus, do Deus Dólar, do petróleo e da igualdade de classes, bilhões de seres humanos tombaram nos campos de batalha.
Em 2012, os profetas do apocalipse esperam o fim dos tempos. O tempo que vivemos é sem dúvidas um tempo de amarguras e insegurança. Uma crise financeira global ameaça a economia do mundo. No Oriente Médio, rumores de guerra em nome do petróleo e da democracia cristã. Enquanto o tempo das incertezas e amarguras não chega, o Deus Dólar continuará onipotente, triunfante, controla.
Há muita coisa para se falar sobre Jorge Cavlack. Muitos se lembra do Rurick som, salão de vidro da Praça do Fórum, da sua pequena Floresta no coração da cidade, seu equipamento de som que abrilhantou vários eventos, casamentos, batizados, bingos, aniversários.
Deixo aqui meus sentimentos de tristeza, para a Shirley, companheira de mais de 50 anos de casamento, ao Yure, ao Rurick, noras e netos.
Tenho certeza que cada luceliense ou amigo de Lucélia que conheceu Jorge Cavlack, tem acima de 15 anos, conhece uma história dita por este cidadão que ora nos deixa.
José Luiz Paiva


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