Manifestantes reivindicam o acerto de pagamentos atrasados e de rescisões trabalhistas de demissões que ocorreram desde novembro do ano passado.
Por Valmir Custódio, G1 Presidente Prudente
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| Passagem de caminhões carregados com cana foi bloqueada por manifestantes (Foto: Diego Guedes Pereira/Cedida) |
Junqueirópolis,
e impediram que caminhões carregados com cana-de-açúcar para moagem
chegassem à Usina Rio Vermelho. Os manifestantes reivindicam o pagamento
de salários atrasados e o acerto das rescisões trabalhistas.
Cerca de 70 ex-funcionários da Usina Alta Paulista (Usalpa) bloquearam
nesta sexta-feira (12) a vicinal conhecida como Estrada Vale Verde, em
O manifesto teve início por volta das 8h e a passagem dos veículos foi
impedida com galhos de árvores e pneus incendiados. A ação, segundo os
manifestantes, teve o objetivo de não deixar a cana-de-açúcar da Usalpa
chegar à Rio Vermelho para ser processada, como forma de “forçar” a
primeira usina a acertar os direitos trabalhistas.
“O pessoal foi demitido em novembro do ano passado e ninguém recebeu nada ainda. Quem foi mandado embora em fevereiro nem recebeu o último salário. Muitos não tiveram o Fundo de Garantia depositado e não conseguem receber o seguro-desemprego. Tem trabalhador passando necessidade e dependendo de parentes”, disse Daniel Cavalcanti, de 25 anos, analista de laboratório, que foi demitido em fevereiro.
O ex-funcionário também explicou ao G1 que no dia 5 de abril houve outra manifestação em frente à Usalpa,
onde ficou acertado entre a empresa e os ex-colaboradores que o
dinheiro da venda de cerca de 300 mil toneladas de cana seria revertido
para o acerto dos direitos trabalhistas, porém, segundo Cavalcanti, o
acordo não foi cumprido.
“Chamaram a gente para conversar e disseram que venderiam 300 mil
toneladas de cana por até R$ 20 milhões e acertariam com a gente no
último dia 28 de abril. A cana foi processada, já pagaram a usina e
ainda não acertaram com a gente. Estamos tentando colocar pressão. Se a
Usina Rio Vermelho ficar sem cana para moer, ela vai por pressão na
Usalpa, que já está recebendo dinheiro”, pontuou Cavalcanti ao G1.
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| Pneus foram queimados para impedir a passagem de caminhões (Foto: Diego Guedes Pereira / Cedida) |
Sindicato
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Química,
Farmacêutica e da Fabricação de Álcool de Presidente Prudente e Região
(Sindiálcool), Milton Ribeiro Sobral, informou ao G1,
nesta sexta-feira (12), que as demissões na Usalpa tiveram início em
novembro do ano passado e foram concluídas em fevereiro, porém, diversos
ex-colaboradores não receberam os valores das rescisões e de salários
atrasados.
“A Usalpa demitiu, não pagou as verbas rescisórias e o sindicato entrou
com uma ação para garantir esses direitos. Fizemos um compromisso
verbal com a usina de que o dinheiro dessa cana seria utilizado para
pagar os trabalhadores. A manifestação é justa, porque eles foram
demitidos e não receberam verbas rescisórias. Tem alguns que não
receberam nem o último salário. O sindicato já entrou na Justiça
representando cerca de 360 trabalhadores e o nosso objetivo é que ela
[Justiça] reconheça que a cana vendida possa ser destinada aos
ex-funcionários”, concluiu.
Outro lado
O G1 entrou em contato com a Usina Alta Paulista, mas, até o momento, a empresa não se manifestou sobre o assunto.



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