terça-feira, 12 de setembro de 2017

Eu só peço que me ouçam

Foto reprodução da Internet
Faz algum tempo, realizando um trabalho social com vários amigos, enquanto cada um batia palma em uma casa, eu me apresentei a uma determinada senhora que até hoje não sei o nome, mas isso é o que menos importa neste momento. Pois bem, fiz o que tinha a fazer, mas ela começou a conversar assuntos diversos, mas chegou a assunto pessoal da família. Eu não tinha muito que comentar dar orientação, nada, e apenas a ouvia.  Senti que se ficasse, com certeza levaria tarde toda, e eu não tinha esse tempo. Mas pela boa educação, continuei a ouvi-la. Contou-me de sua vida, das dificuldades, de morar sozinha, que tinha filhos, parentes, mas que cada um tinha sua vida particular e, ela se sentia sozinha, quase nunca vinham visitá-la. Já fora casada, mas não foi feliz no casamento. Sofreu muito. Tinha sua casa, era simples, mas era dela, enfatizou. Em 20 minutos que fiquei ali, soube muito da vida dela e do sofrimento por qual passou e passava. Não pude ficar mais tempo, tinha que seguir com a tarefa, fui chamado pelos amigos para continuarmos nosso trabalho. Pedi desculpas por não poder ficar mais. Ela me respondeu que àquele tempo que eu a ouvi, foi algo importante para ela. Só de ter desabafado tudo que estava na “garganta” a ajudou, por eu tê-la ouvido. Ela não precisava de conselhos, precisava de quem a ouvisse e o fiz, involuntariamente, esse mister. Pensei – quantas pessoas estão nessa situação e não percebemos. Quantas pessoas, bem a nosso lado, grita silenciosamente, estou aqui, só quero desabafar. Nossos conhecidos, nossos parentes e, não percebemos, nossos pais, que não os visitamos com mais frequência e até achamos ruim quando começam a falar e falar. Um dia seremos nós a buscar atenção e talvez não consigamos. Você, caro amigo, já percebeu mudanças entre seus amigos, seus parentes e não precisam ser idosos, basta estar só.

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