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| Foto reprodução da Internet |
Faz algum tempo, realizando um trabalho social com vários amigos,
enquanto cada um batia palma em uma casa, eu me apresentei a uma determinada
senhora que até hoje não sei o nome, mas isso é o que menos importa neste
momento. Pois bem, fiz o que tinha a fazer, mas ela começou a conversar
assuntos diversos, mas chegou a assunto pessoal da família. Eu não tinha muito
que comentar dar orientação, nada, e apenas a ouvia. Senti que se ficasse, com certeza levaria
tarde toda, e eu não tinha esse tempo. Mas pela boa educação, continuei a ouvi-la.
Contou-me de sua vida, das dificuldades, de morar sozinha, que tinha filhos,
parentes, mas que cada um tinha sua vida particular e, ela se sentia sozinha,
quase nunca vinham visitá-la. Já fora casada, mas não foi feliz no casamento. Sofreu
muito. Tinha sua casa, era simples, mas era dela, enfatizou. Em 20 minutos que
fiquei ali, soube muito da vida dela e do sofrimento por qual passou e passava.
Não pude ficar mais tempo, tinha que seguir com a tarefa, fui chamado pelos
amigos para continuarmos nosso trabalho. Pedi desculpas por não poder ficar
mais. Ela me respondeu que àquele tempo que eu a ouvi, foi algo importante para
ela. Só de ter desabafado tudo que estava na “garganta” a ajudou, por eu tê-la
ouvido. Ela não precisava de conselhos, precisava de quem a ouvisse e o fiz,
involuntariamente, esse mister. Pensei – quantas pessoas estão nessa situação e
não percebemos. Quantas pessoas, bem a nosso lado, grita silenciosamente, estou
aqui, só quero desabafar. Nossos conhecidos, nossos parentes e, não percebemos,
nossos pais, que não os visitamos com mais frequência e até achamos ruim quando
começam a falar e falar. Um dia seremos nós a buscar atenção e talvez não consigamos.
Você, caro amigo, já percebeu mudanças entre seus amigos, seus parentes e não
precisam ser idosos, basta estar só.

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