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WASHINGTON
- O secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Sonny Perdue,
anunciou nesta quinta-feira, 22, a suspensão de todas as importações de
carne bovina in natura do Brasil, por causa de “preocupações
recorrentes” com a segurança do produto destinado ao mercado americano. A
medida continuará em vigor até que o Ministério da Agricultura do
Brasil adote ações “corretivas” para atender as exigências do
Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
A decisão é um revés
significativo para os exportadores de carne brasileiros, que haviam
conseguido abrir o mercado americano para seus produtos em junho de
2015. O primeiro embarque, no entanto, ocorreu apenas em setembro do ano
passado. Embora o volume de exportação ainda não seja relevante, o
mercado americano, por ser um dos mais exigentes, serve de referência
para que outros países decidam comprar a carne brasileira.
Entre janeiro e maio deste
ano, os frigoríficos brasileiros embarcaram para o mercado americano
4,68 mil toneladas de carne in natura, ou US$ 18,9 milhões. Já a China, o
principal importador, adquiriu no período 52,88 mil toneladas de carne
bovina in natura, ou US$ 219,7 milhões de dólares, conforme a Associação
Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).
Quando o escândalo da operação Carne Fraca estourou,
os EUA mantiveram as importações do Brasil, enquanto outros países as
suspenderam. De acordo com nota do Departamento de Agricultura, desde
que a operação foi revelada, em março, as autoridades sanitárias
americanas estavam reinspecionando 100% dos carregamentos de carne
enviados pelo Brasil. Nesse período, os EUA rejeitaram 11% dos produtos.
“Essa cifra é substancialmente superior ao índice de rejeição de 1% de
embarques de outros países”, disse o comunicado.
“Assegurar a segurança da
oferta de alimentos em nossa nação é uma de nossas missões críticas e é
uma que encaramos com grande seriedade”, declarou o secretario de
Agricultura, Sonny Perdue. De acordo com a nota, a recusa foi motivada
por “preocupações de saúde pública, condições sanitárias e questões de
saúde animal”.
Na quarta-feira, o Estado revelou que o Ministério da Agricultura do Brasil havia suspendido as exportações de cinco frigoríficos depois de queixas do governo americano.
Segundo Abiec, o problema era a reação de alguns animais à vacina
contra febre aftosa, que pode provocar abscessos na carne. A decisão
anunciada hoje pelo USDA se sobrepõe à do governo brasileiro. Até a
suspensão dos cinco frigoríficos, o Brasil tinha 31 unidades habilitadas
a exportar para os EUA.
Na última quarta-feira, o
senador democrata Jon Tester havia enviado carta ao secretário de
Agricultura pedindo a suspensão “imediata” das importações de carne do
Brasil. “É cada vez mais claro que esses produtos representam uma ameaça
aos consumidores americanos ao mesmo tempo em que prejudicam os
rancheiros americanos”, escreveu Tester, que representa o Estado de
Montana, uma das principais regiões de criadores independentes de gado.
“Em março, um escândalo de
corrupção na indústria de produção de carne no Brasil levou várias
nações, como China, Arábia Saudita e México, a suspender de maneira
temporária as importações de carne do Brasil”, ressaltou o parlamentar.
Segundo ele, os Estados Unidos optaram por estabelecer um sistema de
reinspeção total que onera o contribuinte americano.
Alto índice de rejeição
1. Desde que a Operação
Carne Fraca foi revelada em março as autoridades sanitárias americanas
passaram a reinspecionar 100% dos carregamentos de carne enviados pelo
Brasil
2.De lá para cá, os EUA
rejeitaram 11% dos produtos – volume, que, segundo o Departamento de
Agricultura, é “substancialmente superior” ao índice de rejeição de 1%
de embarques de outros países
3.No início desta semana, o
Ministério da Agricultura do Brasil havia suspendido as exportações de
cinco frigoríficos depois de queixas do governo americano. O problema
estava na reação de alguns animais à vacina contra febre aftosa, que
pode provocar abscessos na carne.
Vacina oleosa deixa caroços (abcessos), sem risco à saúde humana ou aos bovinos
As irregularidades apontadas
por autoridades americanas na carne bovina brasileira, ligadas a reação
à vacina contra febre aftosa, referem-se a questões contratuais e não
representam risco sanitário, segundo apurou o Estadão com fontes ligadas ao setor.
Em decorrência da queixa
apresentada pelos americanos, o Ministério da Agricultura anunciou
anteontem a suspensão das exportações da proteína animal de cinco
frigoríficos brasileiros para os EUA. A proibição continuará em vigor
até que sejam adotadas “medidas corretivas”, disseram técnicos do
ministério.
Segundo o presidente da
Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec),
Antônio Jorge Camardelli, os abscessos encontrados na carne estariam
relacionados a componentes da vacina, que teriam causado uma reação
alérgica no local. Ele explicou que as exportações – assim como qualquer
tipo de operação de compra e venda – estão sujeitas a regras e
critérios previstos em contrato. “O importador abrir um pedaço de carne e
encontrar nela um abscesso é motivo para suspender as compras, pois
este problema não está em conformidade com a especificação acordada
anteriormente”, disse o executivo.
O representante da Abiec fez
questão de ressaltar, porém, que esses abscessos têm o potencial de
causar dano à imagem do produto brasileiro, pela perda de qualidade.
Além disso, os cuidados que devem ser tomados pelos pecuaristas na hora
da vacinação para evitar a formação desses abscessos também representam
custos adicionais. Camardelli comenta que parte do problema está
relacionada à própria vacina, que continua apresentando alguns problemas
e até agora nenhuma correção foi feita por parte dos fabricantes.
Reação
Enrico Ortolani, da
Faculdade de Medicina Veterinária da USP, explicou que a reação do
bovino à vacina não representa um risco sanitário, de doença ou
contaminação. “Trata-se de uma reação alérgica local. O nódulo aparece
apenas na região em que a vacina foi aplicada”, diz. Ortolani se diz
surpreso com a suspensão, uma vez que o fenômeno também acontece em
outros continentes que ainda vacinam o rebanho contra aftosa, como a
África e Ásia.
“Recebemos um professor da
Grã-Bretanha que está estudando o mesmo problema em outras regiões. É
característico desse tipo de vacina, conhecida como vacina oleosa”,
explicou. O professor acrescentou que a vacina pode gerar uma espécie de
“caroço” na região da aplicação também por questões de mau uso ou por
armazenamento incorreto. Essa reação criaria uma espécie de nódulo na
região. “Mas é importante destacar, essa reação não representa nenhum
risco à saúde do bovino ou humana. É apenas uma reação alérgica
localizada.”
EUA suspendem importação de carne in natura do Brasil (na Reuters e FOLHA)
O setor produtor de carne do
Brasil sofreu um novo baque nesta quinta-feira (22), depois que o
governo americano anunciou a suspensão de todas a compra da carne bovina
"in natura" do país, devido a preocupações relativas à sanidade do
produto.
Segundo o Departamento da
Agricultura dos EUA, desde março deste ano, após a Operação Carne Fraca
(envolvendo fiscais sanitários), o país barrou 11% das carne bovina "in
natura" exportada pelo Brasil.
Uma das consequências da operação da PF é que os EUA passaram a investigar 100% da carne brasileira que quer entrar no país.
Essa taxa de reprovação, ainda segundo o governo dos EUA, é muito maior do que a média global: de 1%.
O mercado americano só se abriu o
produto brasileiro no ano passado e ainda é pouco relevante para as
exportações do país. Porém, mais importante que o tamanho atual é o
impacto futuro, já que os EUA não são apenas um grande consumidor de
carne como a imagem brasileira sofre novo abalo.
Esse tranco vem logo após o
segmento sofrer as consequências das operações da Polícia Federal, da
delação premiada dos donos da JBS e da volta da cobrança de Funrural e
de ICMS no setor.
"É um prejuízo intangível e
afeta principalmente a consolidação e a imagem do setor", diz Antonio
Camardelli, presidente da Abiec (Associação Brasileira da Indústrias
Exportadoras de Carnes).
Camardelli diz que a carne
"in natura" brasileira foi recusada nos EUA devido a abcessos provocados
por reação de animais à vacina aftosa.
Além do produto que já foi
recusado pelos norte-americanos, o Brasil tem pelo menos 150 contêineres
no mar indo em direção aos Estados Unidos.
Uma das saídas, segundo o
presidente da Abiec, é a continuidade de estudos para a retirada da
vacinação do gado brasileiro. Isso, no entanto, demanda um tempo e
acompanhamento do Ministério da Agricultura, que é quem fiscaliza a
carne exportada e libera as vacinas.
Colaborou MAURO ZAFALON, colunista da Folha.
Na VEJA: EUA suspendem importação de carne ‘in natura’ do Brasil
Desde março, o serviço de inspeção de alimentos do país informa que barrou 11% dos produtos de carne fresca brasileira
O USDA informou também que, desde março, quando foi deflagrada a operação Carne Fraca no Brasil, o
Serviço de Inspeção e Segurança de Alimentos dos Estados Unidos
(FSIS) recusou 11% dos produtos de carne fresca brasileira que tentaram
entrar no país. Com a operação, o FSIS passou a inspecionar toda a carne nacional que chegava em solo americano.
“Esse
valor é substancialmente superior à taxa de rejeição de 1% das remessas
do resto do mundo. Desde a implementação do aumento da inspeção, o FSIS
recusou a entrada para 106 lotes de produtos bovinos brasileiros devido
a problemas de saúde pública, condições sanitárias e problemas de saúde
animal”, afirmou o USDA.
“Embora o comércio
internacional seja uma parte importante do que o USDA faz, e o Brasil
seja um dos nossos parceiros há tempos, minha primeira prioridade é
proteger os consumidores americanos”, disse o secretário da Agricultura,
Sonny Perdue.
“O produto que já está na
água não vai poder entrar”, afirmou o analista de pecuária dos EUA da
Steiner Consulting Group, referindo-se às cargas que já estão a caminho
dos Estados Unidos.
Segundo
o departamento, o governo brasileiro se comprometeu a resolver essas
questões, “inclusive pela autossuspensão de cinco instalações de
transporte de carne para os Estados Unidos”.
O mercado de carne bovina brasileira nos Estados Unidos havia sido fechado em 2003 e só foi reaberto em agosto do ano passado.
O Brasil, maior exportador de
carne bovina do mundo, ainda vende pequenos volumes para os EUA, na
comparação com o total que embarca, mas a suspensão norte-americana é
representativa, e pode levantar preocupações, porque os critérios do
país costumam ser observados por outros importadores.
De janeiro a maio, as
exportações de carne bovina “in natura” do Brasil aos EUA somaram 4,68
mil toneladas, o equivalente a US$ 18,9 milhões, de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
A título de comparação, os
embarques à China, um dos maiores importadores, somaram, no mesmo
período, 52,8 mil toneladas, enquanto as vendas para Hong Kong atingiram
42,9 mil toneladas.
Autossuspensão
Na semana passada, o Ministério da Agricultura brasileiro suspendeu as exportações de cinco frigoríficos para
os Estados Unidos, depois de as autoridades sanitárias americanas
identificarem irregularidades provocadas pela reação à vacina de febre
aftosa.
De
acordo com técnicos do Ministério da Agricultura, o mecanismo de
“autossuspensão” permitiria que as exportações fossem retomadas de forma
mais acelerada. Em nota, eles disseram que “trabalham para prestar
todos os esclarecimentos e correções no sentido de normalizar a
situação”.
O Ministério da Agricultura
brasileiro ainda não se manifestou sobre a nova suspensão. O Palácio do
Planalto informou que não vai se manifestar sobre o assunto.
A Abiec, associação que representa os exportadores no país, não tinha um comentário imediato.
A brasileira JBS, maior
produtora de carnes do mundo, negou-se a comentar a suspensão dos EUA,
onde tem grande parte de suas operações.
Carne Fraca
Os EUA foram um dos poucos países que não interromperam a compra de carne do Brasil depois de a Operação Carne Fraca, lançada em março, identificar problemas sanitários em várias plantas exportadoras.
A primeira fase visou a
atuação de Daniel Gonçalves Filho, ex-superintendente da Agricultura no
Paraná, considerado o responsável por um esquema de propina em troca de
vantagens indevidas a frigoríficos de todos os portes.
Autorizada pelo juiz federal
Marcos Josegrei da Silva, a Carne Fraca bloqueou cerca de R$ 1 bilhão,
entre contas e bens de investigados. Nos dias que se seguiram, diversos
países ameaçaram restringir a compra de carne brasileira, o que levou o
ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), e o presidente Michel Temer
(PMDB) a fazerem eventos e viagens para convencer governos estrangeiros a
continuarem acreditando na qualidade dos produtos.
(Com Reuters)
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