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(Pronto para sanção) Senado reconhece vaquejada e rodeio como patrimônios culturais
O
Plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (1º/11) proposta que eleva
a vaquejada e o rodeio à condição de manifestações da cultura nacional e
patrimônio cultural imaterial. A medida passou em votação simbólica,
sem ampla discussão, e já será encaminhada para sanção ou veto do
presidente da República, Michel Temer (PMDB).
A vaquejada consiste
na perseguição de bovinos por pessoas montadas a cavalo, com o objetivo
de derrubá-los, puxando-os pela cauda, e é promovida em municípios
brasileiros há mais de 100 anos, segundo o autor do texto, deputado
Efraim Filho (DEM-PB).
Na manhã desta terça, quando o Projeto de Lei Complementar 24/2016
foi aprovado na Comissão de Educação, Cultura e Esporte, senadores
contrários consideraram o texto inconstitucional — no dia 6 de outubro, o
Supremo Tribunal Federal derrubou uma lei do Ceará que regulamentou a vaquejada como prática desportiva e cultural no estado.
O
senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) afirmou que a aprovação do PLC não
terá nenhum efeito prático sobre a liberação da vaquejada. Segundo ele, o
Supremo discutiu dois valores conflitantes na Constituição Federal: as
manifestações culturais e a proibição à crueldade com animais. “A última
palavra em relação a esse conflito continuará sendo do STF”, disse o
tucano.
Vaqueiros aplaudem aprovação de PLC sobre vaquejada, em comissão do Senado. Marcos Oliveira/Agência Senado
Marta Suplicy (PMDB-SP) citou relatórios do Conselho Federal de
Medicina Veterinária contrários à vaquejada. Afirmou ainda que a
proposta foi aprovada sem que órgãos técnicos ligados ao Ministério da
Cultura tenham sido consultados.
Já para o senador José Agripino
(DEM-RN), “o que se precisa é corrigir o que ainda é feito de forma
errada”. Ele afirmou que hoje a manifestação já é acompanhada por
veterinários e adota meios mais seguros para os animais. O senador
Garibaldi Alves (PMDB-RN) disse que a vaquejada tem dimensão econômica
em áreas rurais nordestinas, gerando centenas de milhares de empregos
diretos e indiretos.
Roberto Muniz (PP-BA) também entende que a
questão sofreria um "viés de preconceito" que setores urbanos teriam com
a visão de mundo própria do campo. Segundo ele, o debate sobre o
bem-estar do animal pode ser ampliado em virtude da polêmica provocada
pela decisão do STF, afetando já em um futuro próximo outras atividades
culturais no Sul e no Sudeste em que também se faz uso abundante de
animais.
O senador Otto Alencar (PSD-BA) aproveitou a sessão para
criticar a decisão do STF e defender a manifestação: “A vaquejada pede
liberdade no Brasil para que seja mantida a tradição do vaqueiro”. Debate constitucional
No Supremo, venceu o voto do ministro Marco Aurélio,
relator do caso. Ele afirmou que laudos técnicos contidos no processo
demonstram consequências nocivas à saúde dos animais: fraturas nas patas
e rabo, ruptura de ligamentos e vasos sanguíneos, eventual arrancamento
do rabo e comprometimento da medula óssea.
Aprovação no Senado ocorre quase um mês após o STF considerar inconstitucional lei cearense regulamentando a prática. Reprodução
Para Marco Aurélio, o sentido da expressão “crueldade” está no inciso
VII do parágrafo 1º do artigo 225 da Constituição e alcança a tortura e
os maus-tratos infringidos aos bois durante a prática.
Em voto
divergente, o ministro Edson Fachin disse que a vaquejada consiste em
manifestação cultural, como reconheceu a Procuradoria-Geral da República
na petição inicial. Esse entendimento também foi seguido pelos
ministros Gilmar Mendes,Teori Zavascki e Luiz Fux.
Apesar de
reconhecer o valor da manifestação, o procurador-geral da República,
Rodrigo Janot, afirmou que o STF deveria ter posicionamento
contramajoritário para vencer situações consolidadas pelo tempo, citando
dois casos classificados como “evolução da jurisprudência”: a farra do
boi e as rinhas de galos. Com informações da Agência Senado.
Revista Consultor Jurídico, 1 de novembro de 2016,
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