domingo, 4 de fevereiro de 2018

Marilienses adotam criança africana que seria sacrificada

FONTE: Tupã City

Um casal de marilienses adotou uma linda menininha africana, com apenas sete meses de vida, que já é dona de uma história emocionante. Lara (originalmente Aninata Sompare), como foi rebatizada a criança, corria risco de vida em Guiné-Bissau, seu país de origem, por conta uma tradição de seu povo.



O relato é do seu novo pai, o psicólogo Daniel Francisco Costa Simões, 44 anos. Ele, que é gerente de RH da Casa Sol, desembarcou em Marília no último dia 25 depois de ter partido dez dias antes para buscar Lara.



Daniel e sua esposa, a professora Aline Callsen Simões, 45 anos, estão radiantes com a nova filha. Eles já possuem outra menina de três anos, também adotada, mas no Brasil, há dois anos e meio.



"Foi justamente a burocracia e a insegurança jurídica que vivenciamos com a adoção brasileira, que nos fez ter interesse em uma adoção internacional", conta Daniel. Mesmo antes do casamento eles desejavam adotar.



"Sem querer dizer se é certo ou errado, mas a legislação brasileira privilegia muito a família biológica e nunca dos pais adotantes", comenta o psicólogo.



Há aproximadamente dois anos, Daniel e Aline conheceram um casal de Botucatu (255 quilômetros de Marília) que ajudou nos planos.



"Esse casal havia passado algum tempo em Guiné-Bissau fazendo trabalho voluntário e acabou adotando quatro crianças. Nos colocaram em contato com o orfanato e fizemos algumas entrevistas com a diretora pela internet", explica Daniel.



Vida ou morte



O psicólogo embarcou para a África para realizar os trâmites da adoção e só descobriu a história por trás da criança que se tornaria sua filha ao aterrissar no continente do outro lado do Atlântico.



A mãe biológica acabou morrendo após o parto e entre os membros daquela etnia, a tradição manda que o bebê também seja morto nesses casos, pois seria o suposto responsável pelo óbito.



Também costumam ser rejeitadas crianças com deficiências e outros problemas, o que não é o caso da menina.



"O pai biológico da Lara percebeu que se ele levasse ela para a aldeia, seria morta. Então ele abriu mão da paternidade, quebrou uma tradição, em nome da vida da criança. Seus parentes exigiram a morte dela. Eles acreditam que se isso não for feito, quando o bebê crescer, ele voltará para matar outros familiares. É uma lógica absurda", comenta Daniel.



Ele conta também que alguns dias antes de adotar Lara em Guiné-Bissau, um casal argentino tinha acabado de adotar uma criança albina, que estava marcada para ser sacrificada porque membros da aldeia acreditavam que havia algo de demoníaco.



Em alguns dias a adoção em Bissau, capital de Guiné-Bissau, foi concretizada, mas houve demora para emissão do visto para que o psicólogo retornasse para o Brasil. Após alguns imbróglios, ele conseguiu os documentos necessários e pegou o avião.



"Agora estamos formalizando a adoção perante a Justiça Brasileira, mas em Guiné-Bissau a Lara já é reconhecidamente nossa filha. Estamos muito felizes, ela está recebendo muito carinho, é um doce", finalizou o psicólogo.














Veja o momento em que a criança é recebida pelos novos pais.




Marília Notícia

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