Por GABRIEL BUOSI
O Ministério da Saúde divulgou na terça-feira o
novo LIRAa (Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes
aegypti), que classifica os municípios brasileiros em situações de
risco, alerta ou satisfatória em relação ao surto de dengue, zika e
chikungunya. Na 10ª RA (Região Administrativa) do Estado de São Paulo,
que tem Presidente Prudente como sede, dos 53 municípios, 47 foram
avaliados, sendo que dez estão em estado de alerta e outros 37 em
situações satisfatórias em relação às doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti.
O levantamento foi realizado entre outubro e a primeira quinzena de
novembro e aponta que 357 municípios do país estão em situação de risco
em relação às doenças, com altos índices de larvas do mosquito, mas na
região de Presidente Prudente nenhuma cidade foi classificada na
categoria. Os números apresentam a situação do IIP (Índice de Infestação
Predial), que se for menor que 0,9 é satisfatório, entre 1 e 3,9 é
considerado em alerta e, acima de 4, o município está em risco, além do
depósito predominante das larvas encontradas, que podem ser no
armazenamento de água, domiciliar ou lixo. Seis dos 53 municípios não
apresentaram os dados.
Ao todo, das 47 cidades que são mencionadas nas pesquisas e apresentam dados, dez estão em situação de alerta ,
sendo que Rosana se destaca com o maior IIP indicado, com 2,4. A média
do índice nas cidades avaliadas é de 0,61. Os outros municípios que
seguem na mesma situação de alerta são: Euclides da Cunha Paulista,
Flórida Paulista, Junqueirópolis, Nova Guataporanga, Ouro Verde,
Panorama, Presidente Prudente, Presidente Venceslau e Salmourão.
“Situação preocupante”
Questionado sobre o maior Índice de Infestação Predial no município, o
coordenador da Vigilância Sanitária de Rosana, responsável pelas
endemias atualmente, José Amilton Pinto Junior, afirma que a situação é
preocupante, já que foi classificada em alerta, e ressalta que a
Prefeitura realiza mutirões de limpeza, podas de árvores, fiscalizações
em terrenos baldios e orientações aos munícipes para que os índices
sejam diminuídos. “As casas são visitadas diariamente, mas temos receio
por conta do tempo de chuva e calor, que são propícios para a
proliferação das larvas do mosquito”, expõe.
Ainda segundo José, a nota 2,4 pode ser atribuída, entre outros
fatores, ao “descuido” da própria população, que, segundo ele, precisa
ser mais consciente. “Os moradores precisam ser nossos aliados. Mesmo
com a taxa alta, vale ressaltar que, no ano dengue, que foi de julho de
2016 a julho deste ano, Rosana não apresentou nenhum caso positivo da
doença”.
Pelo grande número de cidades vistoriadas, a reportagem não conseguiu
entrar em contato com todas para solicitar um posicionamento. Além da
administração mencionada, outros dois municípios emitiram parecer frente
à situação. Presidente Prudente, por exemplo, também está classificada
na categoria de alerta e apresentou o IIP de 1,3. A diretora da VEM
(Vigilância Epidemiológica Municipal), Elaine Bertacco, defende a ideia
de que o atual clima é propício para a proliferação de larvas, o que
pode ter aumentado os números, comenta sobre os arrastões de limpeza
realizados para a prevenção e salienta que mesmo com um ano tranquilo, a
situação pode ser revertida a qualquer momento. “Até folhetos
específicos sobre o tema já entregamos. Neste ano tivemos até hoje
[ontem] apenas nove casos de dengue. É uma situação tranquila, mas tudo
depende dos cuidados da população e apoio da Prefeitura”, informa. Vale
lembrar que, no ano passado, a cidade passou por um surto da doença,
quando foram registrados, conforme Elaine, 13.065 casos.
Já o agente de endemias de Presidente Venceslau, Carlos Henrique de
Moraes Oliveira Ferreira, que teve IIP avaliado em 1,1, situação também
classificada como alerta, comenta sobre a intensificação de trabalhos
preventivos para o próximo mês, quando os agentes vão promover mutirões
de limpeza. Com os trabalhos, os munícipes que estiverem irregulares ou
com criadouros de larvas nas residências poderão, segundo Carlos, ser
multados em até 25 UFMs (Unidades Fiscais do Município). Cada UFM tem o
valor de R$ 2,8655, sendo que a multa pode chegar a R$ 71,5. “De
qualquer forma, precisamos da ajuda dos moradores e estamos de olho na
situação”, ressalta.
Fonte: http://www.imparcial.com.br