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domingo, 10 de setembro de 2017

Meu velho amigo esta com Alzheimer

Não sei se ele estava ciente com quem andava, mas conversava comigo normalmente; eu achava que sim. Falava-me uma porção de coisas que eu pensava ser simples lembrança de seu passado que eu gostava de ouvir. Não percebi que não estava bem. Era normal conversar bastante. Não tinha muito mais idade que a minha, a diferença era pouca, uns 20 anos. Apesar disso, éramos amigos e bons amigos. Eu tinha trabalhado com ele, eu o ajudava no serviço. Muito aprendi, pois seus ensinamentos eram imprescindíveis para meu crescimento. Mas de repente algo mudou, assim num estalo de dedo. Encontramos amigos em comum, conversamos, só que desta vez ele apenas respondia o que lhe era direcionado ou perguntado. Mas ao sairmos de perto desses amigos, ele me perguntou, quem eram? Como? Quem eram? Velhos conhecidos nossos, de longa data; não era possível que ela não saberia de quem se tratava.  Respondi, lhe expliquei, mas me pareceu que embora concordasse, não conseguira se lembrar.

O deixei em sua casa no mesmo dia, para nos encontramos na manhã seguinte, para continuarmos nossos passeios. Eu estava de férias e ele tinha se aposentado. Eu tinha livre acesso a casa dele e quando entrei, ele me olhou desconfiado, como se não estivesse me reconhecendo e não estava mesmo. Perguntou-me quem eu era o que fazia ali, que era para eu ir embora, pois não me conhecia. Calma seu João, sou Zé Luiz, seu vizinho, vim te buscar para continuarmos caminhando, como fizemos ontem. Mas, me respondeu- não sai de casa ontem, aliás, nem sei que casa é essa, não conheço essa gente que esta aqui, quero ir embora para minha casa. Calma Seu João – é a sua família, seus filhos, netos que vierem te visitar. Espantado, incrédulo me disse não gosto dessa gente, estão me deixando preso aqui – Nunca casei, não tenho filhos, nunca tive. Foi nesse instante que caiu a ficha, como se dizia – ele apresentava sintomas de Alzheimer – não reconhecia mais ninguém. Como é triste vermos uma pessoa que até “ontem” vendia saúde e hoje é dependente de tudo, sequer lembra quem é e, pior, quem fora. Teremos trabalho pela frente, mais ainda, teremos que ter paciência.

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